sábado, 26 de junho de 2010

Entre Pios e Grunhidos Ou Uma Tarde Que Nunca Fui Ao Twitter

Socrátes – (O preferido das Musas) Tudo que sei é que nada sei!
Platão – Ótima ideia para um romance!
Aristóteles – Você e suas utopias! Veja bem: a lógica diz que quatro são os elementos, logo...
Santo Agostinho – (Interpondo o báculo)… o Mal existe e só a Cidade de Deus pode deter o seu avanço.
Lutero – Está escrito: Deus é a minha fortaleza, nele tudo posso!
Dawkins – A ciência prescinde da hipotese Deus!
O Exorcista – Vade Retro! Este campo não te pertence.
Marx – A religião é o ópio do povo!
Executivo da BP – Desiste. Sem religião nossa sociedade seria um caos!
Charton Heston – (Ainda com o figurino de Moisés, aquele dos dez mandamentos) Bem, eu acredito em Deus. Mas, meu rifle fala melhor que eu.
Clérico Católico – (Acariciando o rosto de uma criancinha) Creio no Pai, no Filho e no Espírito Santo!
John Wayne – (Montado numa bomba atômica, novinha em folha e arisca pra dedéu) Ouvi direito... Alguém aqui duvida da existência do Todo Poderoso?
Judeu e Árabe – (Aos tapas) Impossível. Deus nos fez à sua imagem e semelhança!
Bin Laden – (Atrás de uma coluna gótica recheada de arabescos cleans, lubrificando sua AK-49) Alá é Grande e Sua Vingança Divina!
Kant – Gente, que que é isto, vossas posições são antinomias da razão, não percebem? (John Wayne leva a mão ao coldre) Mas, em vista de circunstâncias atenuantes... Deus é um conceito moral da máxima importância. Pronto, falei!
Bush – Quem não está comigo, está contra migo.
Galileu – Redonda!
Sua Santidade – Achatada!
Galileu – Redonda!
Sua Santidade – Achatada vai ficar sua cabeça se você não parar com estas bobagens.
Galileu – (Resmunga entre dentes) Redonda!
Sua Santidade – Eu ouvi, hein!
Galileu – Tá, tá, tá...
Galvão Bueno – Dunga bem que podia mirar-se nesse exemplo e aceitar a voz da razão.
Woody Allen – Mas isto não encerra a questão de saber o que Deus estava fazendo antes de criar o Universo.
Torquemada – Criando o Inferno para quem faz este tipo de pergunta, isto esclarece as coisas?
Woddy Allen – Uau!
Edir Macedo – (Fazendo a contabilidade de mais uma fogueira santa) O Senhor é meu pastor e nada me faltará!
Dalai Lama – (Puxando Dawkins pela manga do paletó) Este conversa não está me cheirando bem. Isto aqui vai acabar em merda, olha o que eu estou falando!
Zulicreide, a doméstica – (Empunhando balde, detergente e vassoura confidencia a Vandercleison, o “pau pra toda obra” e xangozeiro renomado) Vai sobrar para quem?
Saramago – Fui!
Marina Silva – Vai com Deus!
Evangélico – Pô, Marina, isto é coisa que se diga para um ateu? Aí, perdeu meu voto!
Silvio Santos – Quem quer dinheirooooooo!
Paulo Maluf – Que foi, está olhando o que? Minha ficha é limpa!
Manuel Bandeira – Vou-me embora para Pasargada...
Drummond – Mundo, mundo, vasto mundo. Se me chamasse Raimundo seria uma rima não uma solução.
Jesus, O Cristo – Pessoaaalll... isto aqui tá doendo pra cacete... Quando é que vocês vão me tirar daqui? Pessoauuuuuu... yo hoo, alguém aí está me ouvindo?
Delegado Fleury – (Na maior água, confidenciando a dois ou três cupinchas) Vai por mim, o sofrimento redime!
(Enquanto isto, no blog ao lado, tem inicio uma palestra com o mestre do terror)
Jovem – Por que o senhor escolheu escrever sobre temas tão medonhos?
Stephen King – Por que você acha que eu tenho escolha?
Lula – (Fazendo uma fézinha, inspirado em altas doses de pesquisas) O companheiro escritor vai me desculpar mas nunca na história deste país tivemos tantas escolhas... cê veja: a Dilma pode não ser o Mandela mas a Copa do Mundo é nossa e a herança maldita deles.
José Serra Abaixo – Me inclua fora desta, presidente.
Lula – Tua batata tá assando!
José Serra Abaixo – Que que é isto, companheiro? Você, para mim, está acima do bem e do mal.
Nietzsche – Agora transcendeu! Humano, demasiado humano.
Defesa Civil – Olha a enchente aí, gente!
João Grilo – Valei-me minha Senhora... já fui homem, fui menino... só me falta ser mulher!
Hardy – (Pendurado num lustre, tentando pegar um salgadinho de uma bandeja que passa impávida e lépida rumo ao camarote vip) Oh, dia... oh, céus... oh, azar... Isto não vai dar certo.
Lippy – Calma, Hardy. O negócio é ser otimista!
Mochileiro das Galáxias – Humanos são mesmos uns neuróticos!
Freud – (Entra, fechando a braguilha) Ops, alguém me chamou? Sem histeria, por favor!


domingo, 20 de junho de 2010

Disfarça Que Tem Gente Olhando

Vocês não vão acreditar no que vi na pia do banheiro uma mosca enorme Precisa avisar a Jeane para limpar o banheiro direito Isto não é nada Ontem lá em casa quando meu marido chegou do trabalho num pé d'água daqueles Soraia e Valquíria tinham acabado de chegar da escola Soraia tem doze Valquíria ainda vai fazer sete Estão lindas minhas filhotas Vocês sabem que não faço sexo apenas para reprodução não e quando faço faço bem e gostoso Só não gosto que fiquem me apressando como fez o Tonhão logo depois de tomar um banho de mais de uma hora e a gente aperreada para entrar no banheiro e ele a porta trancada Vocês imaginam Fiquei louca da vida Porque o Tonhão trancou a porta do banheiro Que que ele está querendo esconder de mim Ah se for o que eu estou pensando faço o maior escarcéu do mundo Roda a baiana a paulista a cearense Eu sou lá mulher de levar chifre de homem Eu não Já avisei pra ele que se ele vier com graça ele que me apronte uma acabo com a vida dele e da rapariga assim Ai que está fazendo um calor dos diabos Pede aí prá Selminha diminuir um pouco o ar senão vou congelar aqui que nem pinguim Pinguim não congela menina O pinguim do Viriato congela de vez em quando Congela porque tu anda meio apagada Sei lá deve ser essa tal de menor pausa Ando sem gosto para nada Menor pausa eu estou dando ao Tonhão Agora quero todo dia e se boboear toda hora que pra ele não ter nada para gastar na rua Faz bem Eu também ando com uma pulga atrás da orelha O Alberico anda meio arredio e se fazendo de besta dizendo que anda cansaço de todo dia a mesma coisa o mesmo feijão com arroz logo ele que que nunca foi homem de andar com fastio Fica de olho É por estas e outras que eu queria ter nascido homem Na próxima encarnação quero usar calças E quem iria comprar na minha mão Falar nisso tem aqui uns perfuminhos e uma roupinhas de baixo de deixar homem com baba na boca Ah trouxe uns salgadinhos tambem Ando necessitada de sotien Ai que camisola linda Amei Me dá duas coxinhas Hoje eu não trouxe janta Quero fazer regime Gente nunca mais vi a Rosalia alguém sabe o que aconteceu com ela A Carmem anteontem me ligou e disse que a Rosalia no mês passado bateu no hospital com um quadro alarmante de virose múltipla Foi operada Tenho o maior medo de operação Fico toda arrepiada Sabe como é hospital público né Mandaram ela aguardar em casa o resultado dos exames para daqui a seis meses Minha sogra passou por isto a semana passada e olha que a velha se cuida mas de vez em quando tem uns ataque de asma Deve ser bronquite encruada Minha prima curou a bronquite com chá de hortelã Eu gosto do licor toda noite Antes de dormir tomo chá de cidreira Gosto de licor com bolo de chocolate Eu faço um bolo de ameixa com cenoura no fim semana que é uma verdadeira festa Até os vizinhos querem comer do meu bolo Não consigo encontrar uma boa receita para preparo de peixe Meu cunhado é pescador e me trouxe uns três de quase dez quilos cada Porque a tua irmã não prepara É tão fácil mas eu não gosto de peixe não quero mais saber de carne de jeito nenhum Meu medico me disse que eu fosse tirando aos poucos Mas porque esperar o melhor mesmo é tirar de vez Ando me sentido mais magra e mais sintonizada com a vida Gente e este relógio que não anda estou com uma fome danada e o Viriato ficou de me encontrar na saída do predio hoje a gente vai dar uma esticada por aí Semana passada eu fui a um pagode lá na Frequesia Menina nem te conto Apareceu um criolo de quase dois metros de altura com a cara do Adriano e me tirou para dançar Deu o maior rebu o Tonhão com todas na cebeça quis tirar satisfação com o homem e acabou levando a pior Tá lá com uma hematoma desse tamanho no olho Mas eu gostei Qual mulher não gosta de ver dois homem brigando por causa dela Meus filhos é que não me dão paz Ô gente quando chego em casa fica eles me puxando de um lado para o outro cada um querendo uma coisa e eu sou só uma para atender a todos eles fico acabada não vejo a hora de virar pro lado e dormir Acho que vou experimentar esta blusinha Tão delicada acho que combina comigo Quanto custa o hidratante Se você pedir um perfume e um hidratante leva um baton de graça Mas só posso pagar no dia 10 A gente faz qualquer negócio Isto aqui é Brasil minha nega Que tal ficou boa Será que não está muito apertada Parece que foi feita para você Combina com a cor do teu cabelo Gostei Vou levar Anota aí Vocês vão jantar aonde Ai que até me esqueci disto Eu trouxe um suflê de abobora Eu vou comer cereais E as minhas coxinhas ninguém vai pegar mais uma não Já estou devendo quantas Com as três de ontem acho que são dez Anota aí Mas vê se trás outras coisas que estes teus salgadinhos estão me deixando gorda Gente eu cuido do meu produto É de primeira Feito com todo o meu amor Podem ficar sossegada eles são daite e laite Depois me diz a receita do teu bolo de ameixa com cenoura Assim que voltar da janta anoto tudo Ninguém vai querer empada Fiz hoje pela manhã Alguém vai dobrar esta semana Estou dobrando faz quinze dias Tenho que pagar meu terceiro celular e a prestação do videogame que dei de presente de aniversário pro meu filho Jorge Paulo Em se tratando de filho eu também não economizo Faço de um tudo por eles Depois a gente morre mesmo e aí vai pensar o que fizemos nesta vida Você sabe que eu te adoro não Eu gosto de tu também mas não chega tão perto senão vão pensar mal de nós duas É Este povo é cheio de maldade Aqui a gente tem que tomar cuidado com o que faz e fala embora a minha vida seja um livro aberto Depois vamos dar uma volta no quarteirão Está um começo de noite linda Estou precisando espairecer um pouco Jogar um pouco de conversa fora Este nosso trabalho cansa Nem fale Disfarça que tem gente olhando E daí Não estamos fazendo nada de mais


sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morreu Saramago


Ai, Memorial do Convento

Ai, Evangelho Segundo Jesus Cristo

Ai, História do Cerco de Lisboa

Ai, Ensaio sobre a Cegueira

Ai, sobretudo, Conto da Ilha Desconhecida

Ai e adeus

Velho mago

Pensei que eras imortal

Mas não faz mal

Homero, Dante, Camões, Cervantes, Eça, Pessoa e também Machado

Hão de te receber com festa

Porque hoje é feriado no céu!



domingo, 13 de junho de 2010

Mural

Nuvens dissipam-se sob o efeito de raios de um sol nascente. Últimos relâmpagos vistos ao longe. A terra ainda é pobre mas há sinais de prosperidade. Sobre o grande rio, constroi-se uma ponte. Os diferentes cooperam. Negligentes são chamados à atenção. Parte de um andaime ameaça desabar.

O poderoso diante do humilde. Espadas, escudos, bandeiras, jazem inúteis no chão. Suas mãos avançam, espontâneas, para um acordo. A mulher poderosa protege um cofrinho de jóias do toque da mulher humilde com um cesto de frutas. Os esposos as detém com um lance de mão. A filha do poderoso, liberta de adornos externos, busca o encontro da mão estendida do rapaz humilde.

Com auxílio de um grande carro, um homem grisalho retira do campo pesadas pedras. Um arado aguarda. Um homem, apoiado em muletas, namora uma fruta em alto galho. Uma criança lhe puxa as vestes, aponta a ovelha extraviada no pasto. O tigre, imponente, olha para trás.

O aldeia festeja a colheita. Um perigoso abismo, muitos obstáculos pelo campo. Um homem olha adiante, os dedos da mão direita tocam o peito, a mão esquerda acena aos amigos que trazem presentes.

Solitária vila onde o povo trabalha e alguns cavalos pastam. Ruiu o telhado de uma casa. Atendidos os feridos, uma mulher comanda. Uma jovem diante do espelho. De todas as jóias dispostas à mão, apenas uma flor lhe serviu.

Um homem sentado lê. Sua mão direita afaga a juba de um leão que madorna. Uma árvore frondosa protege um poço. Alguns desperdiçam água em jogos pueris. Um velho medita. Jovens saciam o olhar em seus lábios.

A tranquila montanha sobre a terra vasta e plana. A grama inclina-se na base. Da janela da rústica casa vê-se um caldeirão na lareira. Um homem aproxima-se pela estrada que serpenteia a montanha. Filhos correm até ele. A mulher, na varanda, sorri. Outra restaura um jardim. Há um templo em ruínas e um pequeno lago. Gansos sobrevoam. Nas margens, búfalos refestelam-se. Longe é o mar... para onde todos os rios convergem.

Um grupo avança na direção do rochedo. Nas mãos: enxada, tambor, foice, martelo, tear... Alguém está infeliz: o baú que arrasta teve rompida uma tábua... o conteúdo espalhado tornou-se inútil nas mãos infantis. Um homem carrega aos ombros uma presa abatida. Jovens festivos o cercam. Aquele, ampara o velho pai. Tudo é sólido e ondula.

Um homem conduz uma égua cintilante, frouxa a rédea. Montados, mãe e filho. Sua mão esquerda pousa no pescoço da égua. Obstruído por uma pedra, seu pé direito volta-se para o leste. O esquerdo aponta para o norte. Olhos arregalados, do homem, fixos na imensa garra que, brota, adiante, na fenda. Na boca entreaberta da besta, o imperativo som, a qualquer momento, romperá o idílio.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O Monstro e a Lagoa Verde

À la Nerino de Campos

Generosa, abarrotou minha caixa de entrada com mensagens ansiosas e vadias...
Paciente, estudou criptografia apenas para entender meu sistema de senhas...
Angelical, abriu meus arquivos à procura de uma desavisada página...
Solícita, sacudiu cada livro meu à caça de uma pétala morta ou papel de bala...
Meiga, somou todas as letras do meu nome para sondar meus desejos secretos...
Diligente, soldou uma aliança ao dedo como se illo tempore estivera escrito nas estrelas...
Previdente, auscultou meus sonhos à cata de segredos inconscientes...
Perspicaz, seguiu meus rumos através dos postes tal fosse eu aquele de flor na boca...
Compreensiva, antecipou-se às minhas esquinas com olhares furtivos e ladrões...
Animada, examinou meus bolsos à procura de enigmas e mistérios…
Justa, cheirou minhas roupas em busca de desconhecidos e inimagináveis perfumes...
Lógica, interrogou meus passos em busca de inventadas pistas...
Digna, fixou aquele olhar de censura à minha suposta devassidão...
Decidida, matou-me numa manhã de agosto com uma dose cavalar de sarcasmo...
Altiva, confessou-se numa sacristia de subúrbio a amaldiçoar ad nauseam o dia que me conhecera...
E, inocentemente, passou a apregoar aos quatros cantos que fora das minhas mãos lúbricas que experimentara o pão que o diabo amassou.


domingo, 6 de junho de 2010

Internacionalização da Amazônia - Cristóvam Buarque

Recebi na semana passada um e-mail com uma resposta dada pelo Senador Cristóvam Buarque durante debate realizado na cidade de New York, em novembro de 2000. À parte ser vago de informações sobre onde realmente aconteceu este debate – uns dizem que foi numa Universidade, outros que foi no Hotel New York Hilton – o revelante é que esta resposta é um primor de lucidez em face aos enganos e mistificações que nos assolam.
Naquele tempo, o ilustre pernambucano atuando à frente da Ong Missão Criança, percorria o mundo em busca de investimentos em educação em troca de parte da dívida externa dos países dos terceiro mundo.
Interpelado sobre o que pensava sobre a Internacionalização da Amazônia e que deveria dar uma resposta como humanista e não como brasileiro, o ex-Ministro da Educação não se intimidou e produziu uma reflexão que, penso, ficará nos anais da História.


"Como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se sob uma ética humanista, a Amazônia deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.

Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Neste momento, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos.

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando todas elas como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, ou que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa"!