Sisifo, Ticiano
De montanha a grão de areia, em segundos...
- Vale a vida, a pena ser vivida?
Aquele, sofre para compreender
Aqueloutro diz que o trabalho enobrece
Já disseram várias vezes que a virtude é o meio
Conquanto, desde sempre, conhecer é poder comprá-lo.
Só desejo morrer, para poder dormir,
Diz Hamlet, um nobre convencional.
Mas num universo de fantasmas, traições e vazios
Pode-se confiar em alguém, de verdade?
Do suicídio, nem me falem os jovens
Com seus catálogos de guloseimas
E espirros dodecafônicos da última geração
Nesta nau de insensatos na qual vogamos
Neste ponto obscuro da galáxia
Encenamos um melodrama familiar
Familiar ao ponto de nos fazer esquecer
Que não faz nenhum sentido viver... ou morrer!
Eia, então...
Empurremos essa pedra colina acima,
Nós outros, os condenados,
Até que nos consuma a pergunta:
- Vale a vida, essa pena vivida?